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Intervenção proferida na despedida ao camarada Adão Serra, militante de
Campo do PCP, falecido há poucos dias.
Estamos a despedir-nos fisicamente do Adão Serra. Decidiu a Comissão de Freguesia de Campo e a Comissão Concelhia de Valongo do PCP, que com toda a justiça, fossem dirigidas algumas breves palavras de homenagem ao seu camarada que hoje vai ser sepultado.Em primeiro lugar e depois de pessoalmente já o termos feito, em nome destas organizações, queria agradecer à família do camarada Serra, especialmente à sua companheira de sempre, a Delfina, a sua concordância e aceitação para a realização deste acto, assim como publicamente transmitir os nossos pêsames. Camaradas e amigos O Adão Serra, com a sua maneira de ser e viver, àqueles com quem de perto conviveu, acabou por a todos tocar. A sua persistência na defesa daquilo porque lutava era um valor incontestado e por todos reconhecido.Tinha o apontado defeito de nunca ter aprendido a vergar-se. E por isso, era daqueles de antes quebrar que torcer.Tantas e tantas vezes, de forma encarniçada, se batia pela defesa das suas ideias, em que nem sempre saía vitorioso. Mas nunca se lhe conheceu o mais pequeno esmorecimento pelo facto de as suas ideias não vingarem. Não condicionava a sua militância à imposição das suas ideias. Sempre disponível para ser útil aos seus familiares e amigos; elevar ao ponto mais alto as organizações e frentes a que pertenceu, algumas das quais foi seu principal fundador e que dentro de muitas, algumas passo a citar: delegado sindical dos trabalhadores metalúrgicos da CIFA, na CGTP - Intersindical Nacional – activista na Comissão de Moradores criada logo após o 25 de Abril e que tantas vantagens e conquistas trouxe à população da freguesia de Campo – activista do Movimento de Reformados, Pensionistas e Idosos - um dos principais fundadores e desde a sua criação Presidente da Associação dos Reformados e Pensionistas de Campo – um dos principais fundadores e dirigente da CAMPOCOOP, a ex-cooperativa de consumo de Campo, a que o Serra, ingloriamente, deu tanto da sua vida – militante activo do PCP até aos 84 anos, onde cumpriu sempre com afinco e dedicação, até ao último dia da sua vida, as tarefas que lhe fossem confiadas e principalmente a distribuição de propaganda na zona que lhe estava destinada, a distribuição semanal do jornal Avante! E a cobrança de quotas aos militantes do Partido, tarefa que o Serra se orgulhava de ter sempre em dia.Neste particular, o Serra, para o seu Partido, estava sempre disponível para tudo; tantas e tantas vezes, nem parecia que ele media a sua própria idade, ao disponibilizar-se para tarefas para as quais já não tinha condições de saúde nem físicas. Parafraseando Carlos Carvalhas no funeral de Virgínia Moura e a esta dirigindo-se, o Serra, apesar dos seus 84 anos, quando era preciso nunca faltava. Homem cumpridor das suas próprias regras, era muitas vezes apontado como demasiado exigente para consigo próprio; e como os seus recursos financeiros provenientes da sua pequena reforma, eram escassos, não era, como não podia ser, um esbanjador de dinheiro. E por isso, era tido como um homem poupado. Mas para ajudar o seu Partido de sempre, nunca lhe foi conhecido o regateio de um centavo que fosse. Camaradas e amigos Subitamente faleceu o camarada Serra, o apaixonado pela música clássica e fervoroso adepto da banda musical de Campo, o activista. Lutando como lutou até ao último dia da sua existência física, o camarada Adão Serra morreu como merecia: morreu de pé! O seu exemplo de militância e dedicação em defesa das causas que abraçou é digno de ser seguido. Por isso e como já ontem o fizemos na Assembleia Municipal de Valongo, em homenagem a este velho militante comunista, em nome das organizações do seu Partido de sempre, o PCP, lhe quero dizer: Até sempre, camarada! |