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Cimeira Mundial da FAO sobre segurança alimentar - Acabar com a fome na face da terra (debate) |
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Intervenção do deputado do PCP ao Parlamento Europeu João Ferreira em 25/11/2009
Senhora Presidente, a declaração final adoptada na última Cimeira da FAO pelos seus 193 países membros é, infelizmente, um autêntico prato vazio no combate à fome. Faltaram prazos e, sobretudo, faltou a definição de meios e condições concretas para combater um flagelo que afecta mais de 6 000 milhões de seres humanos. Segundo os dados disponíveis, durante os escassos 90 segundos que durará esta intervenção, 15 crianças morrerão de fome no mundo. Este é o mais vivo e contundente libelo acusatório que pesa sobre um sistema económico injusto, explorador, irracional e, por isso mesmo, historicamente condenado. Um sistema assente em políticas e orientações concretas, e, já agora, Sr. Louis Michel, em protagonistas e numa retórica liberal que conduziram à situação actual: o favorecimento do modelo agro-industrial, em linha com a defesa dos interesses da grande indústria agro-alimentar, e o consequente empobrecimento qualitativo do sector agrícola mundial. Anos e anos de investimentos insuficientes na agricultura, de promoção do abandono do sector agrícola, de liquidação das pequenas e médias explorações, sector que assegura a subsistência de 70% das populações pobres do planeta. O fundamentalismo de mercado, as políticas de privatização e de liberalização e o livre comércio tiveram e têm como consequência o abandono da terra, a concentração da sua propriedade e o domínio da produção por alguns poucos e a dependência alimentar de muitos. Quarenta e quatro milhões de dólares é quanto os especialistas estimam que seria necessário para debelar o flagelo da desnutrição crónica. Soma bem mais modesta que a transferência efectuada pelos Estados para as mãos do grande capital, a fim de o salvar da crise sistémica em curso. |